terça-feira, 9 de setembro de 2008

A menina dos cabelos ruivos

Eu não queria ir hoje lá. Talvez porque o dia tenha começado diferente. Sem canções. Mas não podia deixar de cumprir esta agenda. Cheguei até feliz, confiante com algumas novas promessas. Coloquei o pé direito na frente e entrei. Logo, a alegria das meninas, a Xará, e o sorriso de Lilian encheram meu coração. Eliane foi logo anunciando o livro, fazendo propaganda, e contando que estava lá perpetuada nas páginas de "Sentença ou Renovação". Verdade.
Começamos a conversar baixinho. E revelei minha preocupação e meus pensamentos nas últimas semanas concentrados na querida Dona Lúcia de São Lourenço. Não gostei do que ouvi, mas reservei. E aí veio outra notícia:
-Lembra de Juliana?
Como esquecer daquela bela moça, vinte e dois anos, que adorava água de côco, filha única, mimada pelos pais, rodeada sempre pelos nossos sorrisos?
O que mais me chamava atenção em Juliana eram seus lindos cabelos ruivos( adoro ruivas, sempre quis ter filha ruivinha-como?) e sua pele clarinha, sua calma e doçura. Nunca trocamos sequer uma palavra. Apenas um olhar, um sorriso, um tchau, em uma longíngua tarde em dezembro de 2007 . Não sabia seu nome naquela época, mas registrei seu sorriso nas páginas de meu livro em uma das últimas crônicas que escrevi.
Queria que seus pais soubessem que aquele sorriso está perpetuado, não só no coração deles, mas no livro que pertence a todos nós.

2 comentários:

Simone disse...

Eli, o que dizer quando alguém parte tão prematuramente assim ? É triste, muito triste mas hoje a gente sabe que a vida não é fácil para ninguém mas que tem seus momentos magistrais. Ah isso tem! De todo modo a sua história é a sua história. Não trace paralelos porque para cada um que termina de um jeito outras tem outro desfecho! Bem sei que gostamos e precisamos de finais felizes, mas será que temos todas as variáveis para saber o que é bom ou não ? Deveríamos aprender com algumas filosofias orientais e encarar a vida sob novas perspectiva. Eqto isso vamos nos dedicar a sermos simplesmente felizes. bjs Simone

Eliane disse...

Ainda não tinha lido seu texto quando coloquei a frase de Drummond no blog.
É isto. Simplesmente felizes. E deixar em cada um , uma lembrança boa, uma palavra legal, um olhar terno, um carinho inesquecível.
Assim a gente se perpetua. Não só tendo filhos, como a maioria acha, mas em cada um que passa em nossa vida.
Juliana marcou. Cabelos ruivos, a menina que tomava duas garrafas de água de côco. Linda...