quinta-feira, 21 de agosto de 2008

É proibido não ser feliz

Hoje é quinta feira. Fim de semana a caminho. E para começar o dia lindo ensolarado, aqui no Rio, um poema de Pablo Neruda. É Proibido...

É proibido chorar sem aprender, Levantar-se um dia sem saber o que fazer, Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas, Não lutar pelo que se quer, Abandonar tudo por medo, Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor, Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos, Não tentar compreender o que viveram juntos, Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas, Fingir que elas não te importam, Ser gentil só para que se lembrem de você, Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo, Não crer em Deus e fazer seu destino, Ter medo da vida e de seus compromissos, Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar, Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram, Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas, Pensar que as vidas deles valem mais que a sua, Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história, Deixar de dar graças a Deus por sua vida, Não ter um momento para quem necessita de você, Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade, Não viver sua vida com uma atitude positiva, Não pensar que podemos ser melhores, Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

8 comentários:

Anônimo disse...

Adoro ler o q vc escreve.Me emociona.Bjos
Te adoro
Lena

Eliane disse...

E aí minha querida. Tenho trabalhado muito. Vamos nos ver amanhã, sexta?
Este finde fico por aqui.
Chegou a hora não acha?
Por favor, vamos marcar!!!!

Luiz Otávio Coutinho disse...

Neruda é a própria poesia em sua plenitude. Brinca com as palavras e encanta mentes e corações.Ele disse uma vez: " amo tanto as palavras. As inesperadas. As que avidamente a gente espera. Espreita até que de repente caem. Vocábulos amados. Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio metal, orvalho. Persigo algumas palavras. São tão belas que quero coloca-las todas em meu poema".

Eliane disse...

Salve Luiz Otávio Coutinho, Finalmente uma mensagem hem?!
Você tem o dom das palavras, moço cheio de brilho, poderia bem publicar seus poemas e seus contos.
Eu faço o prefácio.

Lulu disse...

Não conhecia este texto de Neruda, citado por Luiz Otávio Coutinho... mas nunca ninguem exprimiu tão bem o que é poetar..."as que avidamente a gente espera"... mas é isto mesmo!!! Quantas vezes empacamos em um verso pela falta de uma palavra que lhe dê a expressão que ansiamos... e quando já estamos quase desistindo, ela cai, ou pula, brilham.....e também é verdade, existem palavras que são tão expressivas que a gente fica tentando encaixás-la em algum verso... ah, Neruda e Vinícius de Morais... sem eles, o que seria da poesia? O que seria da minha poesia? Eu tenho um poeminha onde "brinco" com isso:

O VERSO NECESSÁRIO

Deixem-me dizer-lhes
que o verso é necessário
não apenas à poesia, mas ao ato.

O verso se faz poesia
para conter o ato

e o ato é seu autor:
plástica cumplicidade.

(Lulu/98)

Eliane disse...

Pronto, dois amigos apaixonados por Neruda.
ele vai te responder, com certeza Lulu. Não deixa nada sem resposta.
bj
Todos embalados pela poesia...

Luiz Otávio Coutinho disse...

Lulu:



Você tem inteira razão, muitas vezes empacamos na escrita de um verso por falta da palavra certa que o complete.

Ela realmente cai e pula repentinamente. Agora, o mais importante é que ela venha da alma e não de pensamentos pré-elaborados, só para que o verso tenha uma construção bonita.

Drumond dizia que ao escrever seus poemas, nunca se preocupava com a rima e muito menos com a métrica.

Em uma de suas definições do que é poesia, ele dizia assim: " poesia é você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa amada como se ela estivesse ali, do seu lado".

É isso mesmo! Tem que sentir o cheiro, tem que visualizar os gestos, trocar olhares cúmplices, sentir aquela dorzinha de saudade gostosa dentro do peito. Garanto que a palavra certa e bonita virá do fundo da sua alma e completará o seu verso.

Lulu disse...

Bem colocado,Luiz Otávio... com certeza, a palavra, o verso, tem que vir da alma. Comigo acontece uma coisa interessante: muitas vezes me vem uma palavra, eu não sei o seu significado, mas sinto que é "a" palavra... coloco-a, vou no dicionário, e.... é exatamente ela, a palavra que se encaixava. Quando eu me sento para fazer uma poesia, muitas vezes vou com alguma coisa esboçada na cabeça e sai outra coisa totalmente diferente....
Eu passei por uma fase em que a fonte da minha inspiração não era especificamente o ser amado, mas o "peregrino"... alguém indefinível, que eu pressentia em mim, e que há algum tempo descobri na psicoterapia que era o que na psicologia junguiana se chama "animus" - ou seja, o meu masculino interno (O mito de Tristão e Isolda, dissecado no Livro "WE", de Robert Johnson, trata disto magnificamente). Em cima disto, defini o que, para mim, é a poesia:

DA POESIA

Saber-te, peregrino, me faz
/conceber o verso.

Ao imergir em tua deidade
me decanto em poesia

e se sou poesia sou essência
/do não-ser
que no amorfo habita

sou a volúpia divina
o grito da criação
se espargindo em luz

sou o descanso de Deus

e x â n i m e

seu gozo exaurido em meu
/profano cio.


Um grande abraço.