sábado, 23 de agosto de 2008

O grito contra o preconceito é permanente

No texto desta sexta feira, " site, blog e outras cositas, brinquei com minha amiga Rosana, a rainha da valsa e da internet. Ela reagiu hoje em um dos seus comentários, falando que eu não contei o mais importante daquela história.
Vou explicar Rô, quando a palavra Preconceito entra em cena, é preciso maturar e escrever duas páginas. Um pequeno texto no blog seria pouquíssimo. Mas, vamos lá.
Segue o depoimento de Rosana Brigagão e depois o meu comentário aqui, aberto para todos.

"Entro na livraria no Catete, pessoas no balcão preenchendo cheques, outras foleando livros, duas fazendo embalagens e pergunto ao vendedor em alto e bom som:O senhor tem o livro CÂNCER, SENTENÇA OU RENOVAÇÃO da Eliane Furtado???UAUUUUUUUUU, que impacto teve esta minha pergunta, todos pararam o que estavam fazendo e me olharam como se eu fosse um ET ou alguém com uma PESTE CONTAGIOSA, ESPANTOOOOOOOOO,SURPRESA,SUSTO, ou sei lá o que mais estampado nos rostos daqueles "seres" , carambaaaaaaaaaa gente, CÂNCER NÃO DÁ EM POSTE, DÁ EM GENTE COMO NÓS!!!!Quanto preconceito com a palavra CÂNCER, não imaginei uma situação como este, surreallll!!!Como existem PRECONCEITOS e hoje comprovei ao vivo e a cores com relação ao CÂNCER, EXISTE SIMMMMM!!!"

Nos últimos tempos não vivi nenhuma história como esta de Rosanna. Mas vi muitos olhinhos assustados, perplexos, cheios de compaixão, apavorados diante da situação que enfrentei.
Vivi momentos curiosos como pessoas amadas que não queriam aceitar a palavra, a dor de ver uma amiga vivendo uma doença. Mas sem preconceito. Só com medo. Com muito medo. Talvez de me perder. Ter gripe realmente é mais simples. Cura mais rápido.
Mas preconceito é algo que conheço de perto. Fui pioneira na família em quebrá-los. Fiz jornalismo contra a vontade da mãe. Sempre tive idéias a frente do meu tempo, algo que horrorizava minha mãe. Me casei, pela primeira vez, com um rapaz pobre( que ficou rico) e me divorciei cedo. O divórcio foi um tititi na família. Enquanto minhas amigas tinham filhos e seguiam o curso natural(???) das mulheres da época, fui trabalhar em jornal e TV. Sempre assumi postos que eram designados para homens. E sempre assumi situações que a sociedade critica, se inquieta, mas no fundo, inveja. Não tenho modelos, não tenho moldes, tenho apenas uma norma idealizada para mim um dia: a independência e a liberdade com critérios próprios.
E depois, se a gente for se preocupar com os conceitos pré-estabelecidos...parece que a sociedade tem preconceito contra tudo:baixo, contra ser magro demais, gordo demais, contra raças, religiões, contra este ou aquela pessoa pelos motivos mais variados e engraçados. Só mesmo qualificando de engraçado. Então, Rosana, azar o deles. Continuo quebrando os modelos perfeitos(??) de imagem da sociedade. Continuo sendo uma pioneira no meu caminho. Buscando a felicidade e o bem estar. E isto só me trouxe alegria, amigos como você, amores sólidos e verdadeiros e uma obra, que é meu livro. Estou aqui para colaborar com aqueles que "dizem que não tem preconceito." Aqueles que querem mudar e não conseguem. Querem quebrar tabus e se acovardam. Eu estou aqui para quebrar mais um mito: o câncer mata.
Nem sempre, meus amigos, nem sempre.
Um beijo Rosana, e grite mesmo. Grite junto comigo. Garanto que naquela livraria todo mundo que ouviu, vai com certeza pensar. Nem que seja por um minuto. Um beijo

8 comentários:

Elaine disse...

As pessoas têm preconceito por puro desconhecimento. O novo e o desconhecido assustam! Mas é claro que dói. Vivi algumas situações que me nocautearam.
A forma que podemos contribuir contra o preconceito é nos mantermos firme com os nossos contratempos, vivermos com dignidade, sermos produtivas e felizes e acima de tudo não termos auto-preconceito.
bjs
Elaine

Eliane disse...

Elaine, nunca foi nocauteada . Bem, também sou uma muralha. Quando não quero que ninguém passe, fico impenetrável. Não dou confiança.
Mas esta história de auto-preconceito é ainda mais perigosa do que o preconceito dos outros.
E quer saber, danem-se os preconceituosos, cheios de regras.
São infelizes, ah isto são.

Lulu disse...

É bem verdade, este lance do preconceito... conheço várias pessoas que quando se referem ao câncer falam "ceá" (fulano está com ceá - as duas letras iniciais da palavra), "aquela doença", como se a própria palavra fosse contagiosa. Já vi até mesmo casos de pessoas esconderem a "causa mortis" de familiares...

Quilma disse...

Nossa Lulu, é isso mesmo, Lembro q. quando comecei a escutar o "CA" sabia que era algo grave, mas nem igaginava que era cancer. Meu irmão mora em Recife e quando ligava as vezes falava, fulano esta com CA, e eu nem nem, um dia perguntei o que era rimos muito, eu pq nem podia imaginar o que era e ele por não entender como uma pessoa não sabia o que era "CA".....

Eliane disse...

São bobos. Nada saberão enfrentar. Nem o codidiano e nem o inesperado.que necessário não é um câncer. Pode ser um tombo.
bj

Quilma disse...

Isso de falar em "CA" é mais uma coisa regional, logicamente pq a raiz é o preconceito, mas não quer dizer que TODOS tenham preconceito.

Elaine disse...

O nocaute que me refiro, não quer dizer que me derrubaram, nunca permiti que alguém me derrubasse. Mas me refiro a uma dor muito grande, mas com certeza ela me fortaleceu. Bjs Elaine

Eliane disse...

Está registrado. Mas eu entendi.