
Bom dia amigos. Eu não entendo porque temos duas autoridades no Governo, que passam ou passaram por poucas e boas e não agem com mais rigor no setor do saúde do país. Ontem estive com um dos candidatos à Presidência na próxima eleição, na rádio Globo RJ, e fiquei aguardando ele falar da saúde. Fiquei preocupada. Então hoje preciso soltar a voz. Vamos lá: uma mãe que perde a filha porque cai da maca, depois de dar à luz no chão de um hospital, na Bahia. Filas e filas todos os dias de manhã nos setores de emergência dos Hospitais do Rio, da zona sul (Hospital da Lagoa) até os da zona norte. Médicos que brigam nas salas de cirurgia, ginecologistas de São Paulo que atacam os planos de saúde. E a última: a prefeitura de São Gonçalo, município que fica no estado Rio de janeiro está pedindo que a população faça " doação" para abastecer as unidades de saúde pública que estão com as pratelerias completamente vazias. Segundo a prefeita, a "caridade" é o novo tratamento prescrito na rede básica de saúde do município. Perá aí. Será que entendi? Pagamos a maior carga tributária do mundo e agora vamos ter que comprar remédios e doar? Francamente. Alôooooo. Tudo bem que somos um povo solidário, mas assim é demais.
Não sei se vocês sabem que existem remédios em doenças crônicas que custam de dois a 5 mil reais e muita, mas muita gente, precisa deles para se tratar. Eu sou uma. E exames? Nossa, melhor nem levantar estes preços por aqui. Mas só para vocês entenderem melhor. Um sessão de quimioterapia pode custar de seis a 12 mil reais. Não sei como anda a tabela agora. E o que tem gente fazendo o tratamento e cirurgia com liminar não está no gibi.
É preciso -às vêzes -levantar esta lebre. Ontem também fiquei preoucada com Seu Macaé, um dos taxistas do bairro charmoso-, que pesa quase 150 quilos, morre de medo de médico, fêz sessenta anos, quer viver muito, mas não paga plano de saúde porque não pode. Como seu Macaé, existem milhares que não podem mesmo pagar e contam com a rede pública.
Alguns tipos de doenças que devem ser tratadas com urgência são financeiramente inviáveis para a população. E aí? Sem falar que tenho conhecidos que viajam horas para um exame, uma sessão de quimio, porque as cidades menores não estão aparelhadas em nada. É preciso atenção nesta mudança de Governo. A saúde é o ponto mais crítico que enfrentamos. Só sabe disso quem precisa. E em algum momento, qualquer um de nós vai precisar. E não é todo mundo que tem o privilégio de frequentar os melhores hospitais do país ou que tem empresas que banquem os tratamentos.
Hoje, 27 de maio, um dos parceiros deste Blog, o Oncoguia promove, em São Paulo, o I Fórum de Políticas Públicas em Oncologia. O debate tem como objetivo discutir o cenário do câncer no Brasil. A incidência e a mortalidade cada vez mais altas , exames e tratamentos mais caros e a responsabilidade dos que alegam não ter verba para isso.
Diariamente, as pessoas esperam muito tempo por uma mamografia, cirurgia, radioterapia ou ainda um medicamento não disponível no SUS. Blogueiras guerreiras daqui estarão lá ouvindo e soltando a voz, nos representando.
E só para ratificar as informações, antes de encerrar o desabafo, estive segunda-feira, em uma das maiores clínicas de onco do Rio. Olhei a sala de espera vazia e falei com uma das recepcionistas : -"Puxa que bom. Parece que temos agora menos pacientes. " Resposta: -"A senhora quem pensa. Isto aqui nunca esteve tão lotado. Cada vez chegam mais casos."
Suspirei e sai pensando. "Será que ninguém acorda e vê que isto é uma epidemia?" Rezar só não dá. É preciso gritar também. É o que tenho feito sempre que posso.
Mas, a mais importante notícia de hoje é que a seleção chegou bem na África. Que bom né?!
Beijos em todos. Quinta-feira de luz, de paz, de vitórias e de união solidária e sincera.