quinta-feira, 11 de março de 2010

As pérolas são feridas curadas



Você já foi ferido por alguém? Com palavras, com atitutes, com gestos, pela indiferença e frieza de alguém? Já sofreu algum tipo de preconceito? O inesperado já atropelou a sua vida ?
Nos últimos dias tenho pensado muito no conto "A pérola", que escrevi para meu segundo livro. As histórias de amor mais verdadeiras que ouvi e senti. Tenho lido e relido a história de Lia, que conheci um dia. Tenho pensado nos nossos pedaços. Aqueles que temos que recolher, juntar um a um, para tentar nos recompor e prosseguir. Diariamente todos nós fazemos isto: nos levantamos. Mais que isto: nos reerguemos. Nos enchemos de coragem para enfrentar a vida. Por isso penso nas pérolas e na ostra. A ostra que não foi ferida não produz pérolas.
Ontem ao lado de uma amiga paramos diante de uma joalheria. E olhamos na mesma direção: um belo colar de pérolas.
Lembrei de Lia, lembrei de nossa conversa diante do mar da Bahia naquele ano tão desafiador, daquele olhar triste transbordante de amor e lembrei do meu conto, das pérolas produtos da dor.
Hoje deixo um presente meu para vocês aqui no Blog. A maioria já leu Atraídos. Mas muitos que aqui acessam, ainda não conhecem. Aproveitem a história de Lia. Emocionem-se mais uma vez.
E comprem "Atraídos pelo Amor" e presenteiem. Um beijo e um bom dia para todas as pérolas deste Blog.

A pérola
"Os olhos de Lia estava fixos no mar. Nos barcos, no infinito. Seus pensamentos iam e vinham como as ondas do mar, sem parar, uma atrás da outra. Lia não conseguia mais contê-los.
Há dias seu olhar estava fixo no mar. Não conseguia desviar aquele olhar. Pensava, pensava, sofria e, quieta, silenciosamente, olhava o mar. Naqueles dias, ela havia fugido de sua ilha para uma outra. Precisava se isolar, se recolher, se aquietar, avaliar. Talvez a distância de seu pedaço de chão pudesse fazê-la esquecer. Qual nada. Lia silenciosa olhava o mar como se ele pudesse lhe trazer algo: uma mensagem, uma garrafa com uma carta dentro, um sinal. Os olhos de Lia continuavam fixos, enxergando verdades, conversas e histórias sem fim.
Sentada dia e noite na areia fina ela não desistia. Já estava sem forças, sem comer há dias, isolada de sua ilha, mas decidida, resoluta, Lia sabia o que fazer. Faltava coragem.
Um dia, já exausta, sentada na beira do mar, sentiu uma mão forte em seu ombro. Olhou para trás e viu um pescador. Aquele homem a observava há dias sem que ela percebesse. Olhou para Lia e falou:
-Já viu uma pérola? Já tocou nela? Sabe como ela vira uma pedra preciosa?
Lia não queria falar, não queria ouvir. Só queria estar ali continuando a olhar o mar.
O pescador não ligou para aquela indiferença e continuou:
-Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas...As pérolas são feridas curadas. Pérolas são produtos da dor. Resultado da entrada de uma substância estranha lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia a penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola vai se formando. Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada...
Lia olhou para o pescador e parou. Mas não conseguiu dizer uma só palavra. Colocou a mão sobre a mão do pescador em um ato de agradecimento.
Voltou os olhos para o mar e pensou que o barco não mais voltaria, que as´promessas tinham-se perdido na maré alta. Que os destinos não mais se cruzariam. Ela entendeu que tinha que seguir em frente, se encher de coragem e se levantar. Entendeu que seu amor não mais voltaria.
Com os olhos fixos no mar, viu o pescador pegar sua traineira. Já de longe, acenou para Lia e ela com os olhos fixos no mar. Olhou de novo com olhos de adeus para aquelas águas. Serenamente, despedaçada, se levantou e sentiu alguma coisa machucando um de seus pés. Uma concha. Ela se abaixou e viu ali, dentro da concha uma preciosidade, linda, branca, a pérola. E um pequeno bilhete.
-As pérolas são feridas curadas. Você é uma preciosidade. Esqueça-o.
Lia olhou pela última vez para o mar e viu a traineira do pescador já distante seguindo para o infinito."
Do livro Atraídos pelo Amor, de Eliane Furtado. Todos os direitos pertencem à Hama Editora..
Apresentação Flávio Gikovate e Waldemar Falcão.

13 comentários:

Bia disse...

Bom dia,

Essa história é linda e inspiradora...
Sinto orgulho de possuir um colar de pérolas com muitas voltas.
Durante o processo de transformação é duríssimo aguentar, mas depois...hehehe
Agradeço por tudo..., beijos :)

Eliane disse...

Mais que prazer enorme.Que bom que as pérolas lhe inspiraram para abrir o Blog hoje. Meninas preciosas do Colégio Assunção.
Pérolas que guardo com carinho em um cofre.
Bom dia Bia.

Papoula p Hortensia disse...

Bommmmmmmmmmm diaaaaaaaaaaaaaaa Liliznha do Babi,esta é uma das crônicas de ATRAÍDOS q mais adorooooo, linda demais!

Volto mais tarde, beijinssssssss e dia COR DE ROSA p vc, inté queriduxa.

Silvana disse...

Bom dia Blog, bom dia Lili, que linda estoria para recordar, e vamos nós catado pérolas pelo caminho, eu não quero um colar muito longo, pois quero aproveitar de sua beleza por muito e muitos anos. Saudades das meninas. Beijos para todas.

Lulu disse...

Bom dia, Eliane, bom dia, blog. Linda história... é isso mesmo, muito bem colocado. Pérolas são feridas que cicatrizam. E nossas feridas cicatrizadas nos fazem pessoas melhores, mais espiritualizadas. É como colocou a Bia: o processo de transformação é duríssimo... mas depois vemos o quanto crescemos e amadurecemos, e isto é muito gratificante. Nos sentimos, usando a expressão de Eliane, preciosas.
Vocês sabiam que pérolas têm vida? Eu tenho um colar, estava guardado havia um bom tempo, e quando o peguei um dia estava sem brilho, sei lá, estava diferente, envelhecido. Comentei com um ourives amigo meu e ele disse que as pérolas precisam estar em contato com a nossa pele, porque senão se ressentem e ficam com esse aspecto opaco, sem vida. "As pérolas têm vida", disse-me ele.
Linda, a história de Lia... amei.
Mil beijos para todos, tenham uma quinta-feira proveitosa e feliz.

Claudia disse...

Linda crônica Eliane!

Claudia

Maria "A Carioca" disse...

Que história Linda, Pérola!!!!!
É preciso sofrer para florescer.
Bjs

Rodrigo disse...

Boa tarde "THE BOSS" !!!
Boa tarde Blog !!!

O inesperado atropelou minha vida duas vezes de forma acachapante, a diferença é que entre a história de Lia e a mionha é que não fiquei sentado a beira do caminho.

Aliás Elinane parte dessa história já começa a se perder mo caminho.

Beijos.

Rodrigo

Eliane disse...

Boa tarde turma querida.
Hoje estou mais apreciando do que comentando.
Fico muito feliz que muitos tenham gostado.
Comprem Atraídos. Para presentear.
enviarei todos os comentários para Lia, que certamente já deve ter acessdo hoje.
Rodrigo...nenhuma históra de amor é perdida. Nenhuma.

Eli pulou letrinhas disse...

Acessado acessado.

Camélia do Cerrado disse...

Super Hortência

O amor é lindo de qualquer maneira, mesmo não sendo correspondido. Melhor se fosse a famosa via de mão dupla.
O amor é o melhor sentimento que nós temos, por isso, devemos jogar fora todos os outros sentimentos negativos que só servem para nos jogar no lixo.
Um dia cheio de amor para vc.
Bjs mil
Camelinha

Eliane disse...

Ah não Camelinha. Não correspondido não!
É a treva! ahahahahah
Amores precisam ser correspondidos. Precisam ser pérolas verdadeiras.
Um beijo carinhosos e obrigada pela graviola. Vou beber tudinho Flor do Cerrado.

Camélia do Cerrado disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKk

Lilizinha Hortência

Eu sabia que ia sacudir vc e mim tb.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Graviolas estão ao vento chegando no Leme até amanhã à tarde, com muito amor e carinho.
Bjs mil
Camelinha do Cerrado