terça-feira, 30 de março de 2010

Armando




Eu já tive muitos chefes na vida. Tive muita sorte com a maioria. Eram líderes de fato. Sabiam fazer e sabiam mandar. Aliás que palavra horrível: chefe. Na minha opinião, aquele que está no comando tem uma grande responsabilidade. E não apenas só em mandar fazer. Ele tem que ser capaz de decidir, de partilhar com o grupo, estimulá-lo a realizar através de todos os obstáculos. E mais: dar oportunidade.
Fiz parte da equipe do Jornal Nacional. Eu ainda estudava na PUC, quando surgiu a chance de ir para TV Globo. Naquele tempo a equipe do JN tinha por hábito se reunir na sala do diretor de jornalismo e juntos assistirem ao trabalho que ao longo do dia tínhamos realizado. A equipe era ainda pequena. Alice Maria, Nilson Viana, Luiz Edgar de Andrade, Mauro Costa, Gloria Maria, Scarlett Moon, Manduca, alguns editores e todos que estivessem no turno. E claro, os estagiários. Em uma noite daquelas, vi minha matéria sobre o cavalo Grão de Bico ir ao ar. Era um campeão do turfe que havia se machucado. Um destaque. Minha matéria foi editada por Edson Ribeiro, que generosamente permitiu um "sobe som", uma técnica em TV que a voz do repórter vai ao ar. E a minha pergunta foi ouvida por milhões.
Foi quando no silêncio da sala, o diretor perguntou:
-"De quem é esta voz?"
-"Da Eliane, alguém respondeu."
Menina, ainda descobrindo aquele universo, fiquei caladinha.
Quando o Jornal Nacional terminou, Armando Nogueira falou para minha querida Alice Maria, editora-chefe:
-"Vamos preparar Eliane."
No dia seguinte eu já estava fazendo contato com a fonoaudióloga Glorinha Beuttenmüller e uma semana depois, eu fazia a primeira entrada de video no Jornal Hoje.
Chefes que são craques e líderes dão oportunidades. Sabem fazer acontecer. Enxergam longe.
E criam uma legião de fãs, de admiradores, de profissionais competentes, de novos craques.
Modéstia à parte.
Bom dia craques da vida.

Na foto: eu e meus chefes assistindo ao jogo de futebol entre as equipes do JN e de outras produções. Um só time.

8 comentários:

Alexandre F Maurity disse...

A meu ver, somente, quem conheceu o Armando e teve o privilégio de trabalhar com ele entende as palavras da Eliane, realmente, um LIDER, ele fazia acontecer, trabalhar com ele era cativante, ser amigo então, sem comentários.

Grande Botafoguense, hoje, no enterro, saudamos com o hino do GLORIOSO!!

Com certeza, ele está voando, como fazia com seu ultra-leve em céu de brigadeiro!!

Grande Armando, grande beijo!

Eliane p/Maurius disse...

Oi Maurity. Hoje as pessoas tratam diretores como uma intimidade...
Eu o via como um comandante. Alice então...que dobradinha. Tenho orgulho desta história. Quando vi Alice presente nos meus lançamentos...fiquei sem ar. Armando já estava doente.
Abraço e saudade...

Vera disse...

Olá!Olá!
Gosto muito do jornal Hoje, fico felis em sabaer que participaste dele tb. O Jornal Nacional é campeão de audiência,mas o Jornal Hoje com seu formato mais informal apresentado pelo Evaristo e pela Sandra acho um "barato" após o almoço esse jornal informa, de forma diferente mais "light".
Bjs
Vera

Vera disse...

Querida escrevi felis com s mas é com z, falar e escrever não dá certo.
Tem que revisar...tem que revisar.

Alexandre F Maurity disse...

Eliane,

Eu soube da doença dele no início, quando começou a apresentar os primeiros sintomas, por uma amiga nossa.

Foi uma grande perda!

Beijo,

Maria "A Carioca" disse...

Hello!!!!!
Chefe bom, não tem medo de perder, é aquele que não é fominha, não joga sozinho, divide a bola, dá bons passes, joga em equipe, porque sabe que precisa do time para fazer gols.
Chefe bom, é aquele que é seguro de seu talento, de sua técnica, de sua habilidade com a bola, que ensina, sem medo de perder a jogada.
Chefe bom, é um "mestre" que a gente guarda para sempre.
É aquele, que a gente gosta quando dá bronca, que a gente gosta de ouvir as críticas.
Chefe bom, é aprendizado em temo real, é sorte e certeza de evolução profissional.
bjkas duck

Lulu disse...

Lamentável perda, principalmente para quem conviveu de perto com o Armando Nogueira. Ouvi também um comentário de William Bonner na Globo News onde ele diz que o que é hoje profissionalmente deve a ele. Mais ou menos nos termos que você fala, Eliane.
Solidarizo-me com vocês nesse momento de pesar.
Beijos, tenham uma noite de paz.

Eliane disse...

Oi queridos, terça de muito movimento.
Ufa hoje é quarta e estou cansadíssima.
Lulu, sempre bom te ver aqui.
Maurity, e lá está indo a geração que nos adotou.
Maria Carioca: se todos os chefes tivessem um Duck na equipe...
Veroca, sem policiamento: o que falço de besteira por aqui...e na vida...
ksksksksk Feliz de qualquer jeito. A gente entende!