sábado, 28 de novembro de 2009

A transparência


Sempre que escrevo algo reflexivo no blog, alguns amigos correm e me ligam perguntando:-"O que não vai bem?" Nem sempre os textos refletem exatamente o meu estado de espírito. Nem sempre. O Blog é de textos variados. Ora reflete meu humor, minha felicidade, a de meus amigos, a da vida cotidiana, das pessoas e universo que me rodeiam. Ora a inspiração vem do nada. Mas reconheço que sou uma pessoa transparente e que tenho limites para usar alguns disfarces, e às vêzes o meu dia a dia se reflete aqui.
Ser transparente é o mesmo que ser uma pessoa sincera que não tem medo de mostrar o que é, o que pensa e de que forma gosta de viver a vida. É sentir todas as sensações de peito aberto, de braços erguidos ao céu, de rir e chorar sem constrangimentos. Não é nada bom ser transparente. Eu acho. A exposição é imensa. Mas por outro lado, a sensação de leveza é extraordinária. Deve ser difícil viver disfarçado o tempo todo. Eu não aguentaria.
Um ótimo sábado para todos. Límpido, delicioso, de paz, de amigos e de leveza!

8 comentários:

a vizinha disse...

Não concordo com vc. Prá quem escreve existem dois mundos. O do faz-do-conta e o mundo dele, real. Vc pode ler por anos seguidos o seu escritor favorito, ficção, romance, prosa e ele mantém sempre uma distância enorme entre o real e o imaginário, o que ele transmite. E assim vc viaja nas histórias sem nunca vir a saber quem estava por trás dela. Existe uma barreira natural entre escrever e ser lido. A não ser nas biografias as pessoas não se revelam. Lógico que existe uma diferença entre um blog e um livro. Quem abre o jogo diariamente arrisca se mostrar. Impossível vc acordar bem todos os dias, ser amável todos os dias, ser feliz todos os dias e escrever todos os dias sem que se revele um pouco. Natural, muito natural.

Ro meio a meio p/ Eliane disse...

Amiga, eu cocordo com vc em relação aos textos do blog e com a vizinha. Não sou uma escritora como vc. Ontem escrevi 03 textos, e apaguei todos. Estava triste comigo e com o mundo, sem vontade de rir, aqueles dias em que a gente fica morna, sem sal sem açucar... Pensei, meus amigos neste momento vão me achar muito reclamona, pois é o que realmente estou.Gostei muito de como vc colocou tão bem mais uma vez o aniversário de 04 anos. Procuro na maior parte do tempo levar a vida sem drama ou frescura, mas.. hoje pela manhã já chorei um pouco. Faço muita confusão com contas, numeros e isso muitas vezes não consigo levar numa boa. Muitas vezes não entendo a real situação do problema, uma confusão mental absurda para eu aceitar. Mas aceito... com choro as vezes. Mas logo passa. Um lindo sabado p/ vcs ai na cidade maravilhosa. Não quero que se preocupe com o email do Bendizer, foi para toda caixa. Espero um livro seu, para bingar. Já estou programando um. Beijos minha querida :)

CHIQUINHA disse...

Seja um conto, um artigo, um comentário, sobre algo real ou fictício, tudo depende de quem lê.
Cada qual interpreta sob seu prisma, seu estado de espírito.
Acho bom ser transparente e muitas vezes é necessário ser, mas temos que saber dosar.
Enfim, é a velha balança que sempre está no jogo, equilíbrio...Equilíbrio...
Bjs para todos e um bem grande para vc Lili. Curta e desfrute bem seu finde com toda essa natureza que te rodeia e o amor do seu Shiro.
Ups! Desculpe, do maridão tbm!

Bia disse...

Boa tarde,

Não conheço ninguém aqui do blog que não seja transparente. Isso faz desse blog um lugar mágico. Lili, "se todos fossem iguais a você..." Bjs
PS: está acontecendo alguma coisa que eu não sei? senti algo no ar... do blog, of course.

Lulu disse...

Não sei se concordo bem com a vizinha, eu já acho que se você tiver uma boa empatia com o autor de uma obra, você consegue ler nas entrelinhas e sentir (isto mesmo, sentir) o seu estado de espírito no momento de sua composição (seja um livro, um quadro, um livro, uma poesia). Eu, por exemplo, quando escuto a sinfonia "Patética" de Tchaikowsky, fico num estado de agonia indescritível. Eu consigo sentir claramente a luta entre Eros (pulsão de vida) e "Thánátos" (pulsão de morte) na música (pouco tempo após compor esta sinfonia, Tchaikowsky suicidou-se). No Louvre, observando algumas obras, muitas vezes fiquei completamente "entalada", como se uma emoção nunca antes sentida me tomasse e me tirasse a respiração. O psicodrama vai mais fundo, e chama a isso de "tele", que é uma empatia em mão dupla. É como se estivesse ocorrendo uma interação entre eu e o autor. Não sei se gosto de sentir isso, mexe demais comigo, e muitas vezes me deixa uma sensação de dor.
Mil beijos para todos, tenham uma ótima noite e um excelente domingo.

a vizinha disse...

Acredito que a poesia e a música, Lulu, reflitam melhor o espírito de quem escreve e de quem toca. Mas num texto banal, corrido, só vc conhecendo bem a pessoa de perto pra sacar se está havendo alguma coisa. Duvido que alguém tenha lido o belíssimo Grandes Sertões e possa dizer se o G.Rosa estava triste, preocupado, alegre... será ?

Eliane disse...

Escrever me leva longe, arranca meus sentimentos mais escondidos, transforma meu dia a dia e me coduz a estradas mágicas.
Adoro escrever histórias de ficção. Mas amo amo as histórias reais. A minha observação diária em torno que diz respeito ao meu mundo e ao do ser humano.
Adoro transparências.

Lulu disse...

Vizinha, li Grandes Sertões - Veredas no tempo que fazia Letras (entre 1970 e 1973), lembro que era como se fosse uma autobiografia de Guimarães Rosa, quando ele mergulha fundo na vida dos sertanejos... lembro também de ter assistido à minisérie que foi produzida pela Globo. Excepcional. Qualquer hora dessas vou ler novamente. Sempre fazemos novas descobertas e consequentes ressifignações nas releituras...
Eliane, li recentemente um texto atribuído a Clarice Lispector (digo atribuído porque na net rolam tantos textos apócrifos...), que bate bem com esse viver transparente:
"...Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!"