
Um dia minha mãe colocou um tomate no meu prato e eu, um toquinho de gente, olhei pra ela e falei:
-"Não gosto disso."
-"Já provou? "
-"Não , mas sei não gosto."
Esta foi minha primeira cisma. E aí começou a idéia fixa contra o tomate. A imaginação que o sabor era ruim por causa do miolo do meio atravessou o tempo. Minha antipatia pelo tomate dura até hoje. Só bebo suco de tomate porque vem batido. E com vodka e pimenta.
E já prestaram a atenção que também não temos boa vontade com pessoas?
"Não fui com a cara desta moça." "Achei este chefe uma antipatia. Metido né...Viu como olha. " Aí está a pura implicância. Na maioria das vêzes é assim com um monte de gente. E a aquela pessoa pode ser tão legal... Somos cheios de manias e superstições. Umas herdamos, outras cismamos, e a maioria inventamos do nada. Ah seres humanos complicadinhos...
Tínhamos que ser mais maleáveis, mais benevolentes, menos cheios de fricotes. Mas não conseguimos. Eu me esforço, mas ainda hoje, cheia de maturidade olho de repente alguma coisa e pronto: coloco um rótulo.
E assim foi sempre com agosto. Coitado de agosto. Mês longo, mas dos pais, de amigos, do meu pai. Ora, cisma? Mania? Implicância pura ou herança de lendas. Getúlio Vargas se suicidou em agosto.
Criamos tantas bobagens na mente e depois ficamos escravizados a elas.
Está na hora de fazer uma limpa nas minhas cismas, manias e implicâncias. E tirar da cabeça que agosto é um mês enjoado. Mas como hoje é dia 31, deixo para ano que vem o abandono desta tolice de implicar com agosto. Agora só o que me resta dizer é "já vai tarde!" kskskksskksks Não tenho jeito mesmo.
Beijos em todos.