
Há pessoas que nascem com um coração de pedra. Uma pedra de gelo. Nada as incomoda, nada faz ele derreter, nada os comove. São assim. Eles mesmos transformam o coração deles em uma máquina diferente. Claro que já nascem com tendência para se transformarem em pessoas duras. Uma amiga me perguntou se os bandidos nascem maus assim ou são produtos do meio. Creio que do meio, da criação, da vida que levam e da personalidade que desenvolvem. Acumulam revoltas. Contra tudo e contra todos.
Outro amigo me ligou ontem e contou como a filha de trinta e cinco anos, que retirou uma mama e está curada, tem revolta até hoje e ficou uma pessoa insuportável.
O perigo de se tornar uma pessoa revoltada é a amargura e o coração de gelo. E com o tempo se tornar uma pessoa insensível e de fachada. Acho dificil derreter o coração de uma pessoa assim. Só mesmo uma grande fatalidade poderia balançar os alicerces destas pessoas. No caso dos bandidos, agora nos Estados Unidos surgiu uma nova forma de direito que deverá ser aplicada no Brasil. Ela se baseia num procedimento de consenso, em que infrator e vítima ficam cara a cara numa espécie de catarse. Expõem suas mazelas, propõem a cura das feridas e dos traumas e perdas causadas pelas infrações cometidas. É uma situação dificílima que, às vezes dá bons resultados para os que se arrependem realmente do que fizeram e precisam do perdão das pessoas atingidas. Por sua vez os que foram atingidos, algumas vezes querem e precisam conhecer seus algozes, saber o porquê, olhar olho no olho. Acho bom isto. Mas no caso da filha de meu amigo, tudo indica que mesmo com a cura, a revolta a seguirá para sempre. E se ela tivesse a oportunidade de falar com Deus, cobraria dele o que aconteceu.
Em outros casos por aí, só a vida para ensinar. De que forma ela vai mostrar? Aí é que está o perigo. Ninguém sabe. Mas os ventos que batem por aqui, batem um dia em outro lugar.
Nunca permitam que o coração de vocês endureçam e prefiram a catarse do confronto, da conversa, do esclarecimento, do que o ódio e a revolta. Alguns sentimentos trazem a doença. Palavra de quem entende disso.
Um bom dia.




























